No capítulo
anterior...
- Joana estranha o
convite de Célia, mas ela diz que revelará o motivo na hora certa
- Joel visita Gilberto
que acredita que o amigo tenha sido enganado por Romero novamente
- Gilberto conta que
desmascarou Romero e Joel se orgulha da atitude do amigo
- Célia não consegue
ir direto ao assunto confundindo Joana
- Pressionada, Célia
revela que é apaixonada por Joana, deixando-a pasma
CAP. 141
JOANA: Como assim? Apaixonada?
CÉLIA: É isso mesmo. Você entendeu direitinho. Eu sempre fui apaixonada por
você desde que te conheci.
JOANA: Então é por isso que sempre foi tão gentil comigo, sempre me convidando
pra ir à sua casa, pra almoçar, pra sair...
CÉLIA: Exatamente. Eu queria ficar perto de você, te conhecer melhor. Queria
que você me conhecesse melhor também. Tudo tava ótimo até as amigas da Jussara
colocar aquelas minhocas na cabeça dela e vocês romperem. Desde que você se
afastou da minha filha, eu tenho tentando me afastar também, mas sempre com
vontade de ter ver, de falar... Eu precisava me abrir com alguém, botar pra
fora tudo isso que eu sinto aqui...
JOANA: É diferente isso... Já tinha ouvido declaração de homem, mas de mulher é
a primeira vez...
CÉLIA: Pra tudo tem uma primeira vez na vida. Pode ser que você não sinta nada
por mim, mas alguma coisa me diz que nós duas gostamos da mesma coisa...
JOANA: Porque você acha isso?
CÉLIA: O seu jeitinho não me engana. Só de olhar pra você eu sinto, eu vejo...
Não sei explicar, mas eu sinto.
JOANA: Eu tenho cara de sapatão?
CÉLIA: Não use essas palavras preconceituosas e grosseiras para se referir a
nós. De preconceituosa já basta a sociedade. Não tô querendo dizer que você tem
cara de lésbica, quer dizer, tem um jeitinho... Esse cabelo curtinho, o jeito
de andar, o jeito de falar mais firme, pouco delicado... A gente percebe essas
coisas de longe. Mas isso não é exatamente um defeito, é o seu jeito de ser. E
pronto! E se quer saber, eu gostei muito dele. Foi por isso que me apaixonei
por você...
JOANA: Eu tô confusa. Do jeito que você fala, parece que tem certeza que eu sou
sapata (corrigindo) quer dizer, lésbica, mas eu mesma não tenho certeza disso.
Tem acontecido umas coisas estranhas comigo de uns tempos pra cá, mas eu nem
sei se mulher é mesmo a minha praia, entende? Pra dizer a verdade eu nunca
experimentei...
CÉLIA: Você nunca teve experiência com outra mulher?
JOANA: Não, nunca tive. Minhas experiências foram só com homens.
Nisso o
garçom interrompe para servir as bebidas. As duas interrompem a conversa e
aguardam que ele se retire para continuar.
CÉLIA: E aí, como foram as suas experiências?
JOANA: Nunca foram boas. Transei com alguns caras, mas nunca senti nada. Tudo
muito mecânico, sem graça... Nunca senti nada daquelas coisas maravilhosas que
as minhas amigas falavam que sentiam com os rapazes. Agora, de uns tempos pra
cá me peguei sentindo umas coisas diferentes, só que eram por outra menina,
como eu...
CÉLIA: E quem era essa menina? Rolou alguma coisa entre vocês.
JOANA: Uma menina aí... (apurada) Mas você não conhece não. Nem adianta eu te
explicar porque tenho certeza que você não conhece. Ela era lá de Blumenau, da
cidade que eu morava antes de vir pra cá...
CÉLIA: Ah sim... Mas, vocês tiveram alguma coisa?
JOANA: Não, nunca rolou nada. Ela não pode nem sonhar uma coisa dessas, mas eu
queria ficar sempre perto, conversar... Se não via, já ficava sentindo falta,
com ciúmes quando ela chegava perto de outras meninas, dos rapazes...
CÉLIA: Hum, então você tava apaixonada por ela...
JOANA: Então, isso que eu não sei... Nunca vivi a experiência de ser apaixonada
por outra mulher. Essas coisas começaram a dar um nó na minha cabeça, igual
aconteceu agora quando você começou a falar essas coisas...
CÉLIA: Mas fique tranquila. Não quero pressioná-la de maneira alguma. Só me
declarei porque não aguentava mais guardar esse sentimento dentro de mim. Mas
quero que saiba que vou te deixar livre e vou respeitar qualquer decisão sua...
Mesmo que você não queira olha pra minha cara nunca mais depois de hoje...
JOANA: Que isso? Não é pra tanto... Só de você me respeitar eu já me sinto bem
melhor...
As duas
brindam.
Bernardo
vai à ONG conversar com a psicóloga. No escritório, ele narra todo episódio
acontecido no Exército, deixando a profissional admirada.
CACILDA: Bernardo, meu filho, mas você foi muito corajoso. Como pôde ousar
desafiar aquele povo?
BERNARDO: Eu pensei muito. Quando imaginei todas as coisas que poderiam acontecer
comigo ali dentro, não sei de onde tirei coragem para resistir. Eu sou filho de
militar, já ouvi histórias do arco da velha, de coisas que acontecem com
pessoas iguais a mim dentro dos muros dos quartéis. Eu não seria louco de me
submeter a isso.
CACILDA: E agora, como tá o relacionamento com a sua família?
BERNARDO: Mais ou menos. Meu pai ainda tá meio grilado comigo, mas eu sei que
passa. Ele já tá naquela assim “seja o que Deus quiser”. Ele já viu que não
adianta remar contar a maré. Ele tá quase convencido de que agora tem duas
filhas e dois filhos... (risos)
CACILDA: Duas filhas, como assim?
BERNARDO: A minha irmã e eu, duas filhas...
CACILDA: Ah sim... Mas você fala “filha” em que sentido? Porque apesar de ter
se assumido homossexual você continua sendo homem do mesmo jeito. Gay, mas
homem...
BERNARDO: Então, aí é que tá... Eu não quero mais ser homem. Cada dia que passa me
convence que eu nasci com o sexo errado. Eu quero ser mulher!
Continua
amanhã...
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Você
sabia?
A maioria dos gays,
lésbicas, bissexuais e pessoas que procuram a psicoterapia fazem-no pelas
mesmas razões que as pessoas heterossexuais (estresse, dificuldades de
relacionamento, dificuldade de adaptação às novas situações sociais ou de
trabalho, etc); sua orientação sexual pode ter uma importância primária,
acidental ou não ter importância às suas questões e tratamento.
Para ler
os capítulos anteriores, acesse:
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