No capítulo anterior...
- Bebel insiste que quer receber pelo
programa, mas o cliente insiste em não pagar
- Ofendido o cliente agride Bebel que revida.
Eles trocam socos e Bebel pega sua carteira
- Uma viatura da PM os aborda. Um policial
agride Bebel, mas é repreendido pelo chefe
- Diante do impasse, o chefe resolve
conduzi-los para o distrito
- No distrito, Bebel percebe que o delegado
não lhe é estranho, mas não se lembra de onde o conhece
CAP. 160
Bebel tenta se lembrar de onde
conhece o delegado, mas não consegue.
DELEGADO
(para o cliente): Senta aí, rapaz! Vamos ouvir a vítima primeiro. (para Bebel)
E você aguarde aí fora que eu já te
chamo. (para o assistente) Zaqueu, olho na boneca aí.
ZAQUEU: Pode
deixar, chefe. (e conduz Bebel para a antessala)
DELEGADO: Vamo
lá, rapaz, me conte o que aconteceu...
Depois do sexo, antes de pegar
no sono, Reynaldo e Gilberto conversam.
REYNALDO: Sabe,
tava pensando uma coisa aqui com os meus botões. Eu acho complicado, mas queria
te fazer uma proposta.
GILBERTO: Diga.
Vamos pensar no caso. Vindo de você só pode ser coisa boa...
REYNALDO: Você
podia passar uns dias em São Paulo comigo. O que você acha? Claro que lá não
tem hotel de luxo, não tem restaurante chique, nada disso. Mas você ficaria
hospedado na minha casa e não gastaria nem um tostão. Eu poderia pagar suas
passagens...
GILBERTO: Puxa!
É uma ideia ótima, se não fosse por um detalhe: e o meu trabalho? Faz pouco
tempo que comecei a trabalhar e já vou tirar férias? O síndico vai me
esgoelar...
REYNALDO: Oras,
mas não precisa ser nem agora nem amanhã. Pode ser daqui alguns meses, quando
você tiver direito às suas férias...
GILBERTO: Ah...
Mas até lá você já me esqueceu e já arrumou uma meia dúzia de namorados... Legal
como você é, saído, bem enturmado, e a ainda por cima morando numa cidade
daquele tamanho? Nem vai lembrar que eu existo mais...
REYNALDO: E
te ocorre pela cabeça que eu posso não estar interessando em ninguém além de
você? Te ocorre que eu tô cansado daquele povinho complicado daquela cidade? E
que posso ter ficado encantado com esse mineirinho de Joanésia?
GILBERTO: Ocorrer
até ocorre, mas falta tanto tempo... Tanta coisa pode mudar daqui até lá...
REYNALDO: Bobinho...
O tempo passa voando. Se você olhar pra frente, um ano é muita coisa. Mas se
você olhar pra trás, foi ontem. Deixa de conjecturas e me diga: você topa ou
não topa passar uns dias comigo em Sampa?
GILBERTO: Claro
que eu topo. Meu sonho conhecer um cidadão daquele... Nem acredito que uma
coisa dessas vá acontecer comigo...
REYNALDO: Pois
pode acreditar... Quando você tiver livre, me avise que a gente providencia tudo.
Combinado?
GILBERTO: Combinado.
REYNALDO: Então
dá um beijinho de boa noite aqui pra gente dormir, porque já e madrugada... (se
beijam, se cobrem com o edredom e apagam os abajures)
Bebel entra na sala do delgado
para contar a sua versão da confusão.
Depois de ouvi-la...
DELEGADO: Eu
acredito na sua versão. Aquele cidadão tava muito enrolado. O cara tá meio
bêbado, não tá falando coisa com coisa. Além do mais, no dia que a gente saiu,
você foi muito legal comigo. Tava até pensando em passar lá uma hora dessas
para darmos uma volta de novo...
A ficha de Bebel cai, e então
ela se lembra do delegado.
BEBEL: Ah!
Bem que eu vi que te conhecia de algum lugar... Você é o cara do fusquinha
amarelo, não é isso?
DELEGADO
(com o dedo na boca): Psiiiiiiiu! Que isso fique apenas entre nós. Sou eu
mesmo. Você não se lembra?
BEBEL: Eu
vi que te conhecia, mas não lembrava de onde...
DELEGADO: Puxa!
São tantos assim de fusquinha amarelo que vão lá?
BEBEL: Não
é isso... É que passa muita gente lá, e eu sou meio ruinzinha de memória
mesmo...
DELEGADO: Seguinte:
vou lhe dar meu telefone, qualquer sacanagem que fizerem contigo lá, me dá uma
ligada. (lhe entrega o cartão). Mas ó: vê bem. Vê se não vai me meter em
roubada. Tô confiando em você porque te achei muito gostosinha. E além do mais
você me pareceu uma pessoa direita. Agora, se pisar na bola comigo, te detono
sem dó nem piedade. Combinado?
BEBEL: Combinado.
Comigo o seu segredo tá bem guardado.
DELEGADO: Ó,
e aquele policial lá que te deu uns catiripapos, pode deixar que eu vou dar uma
prensa nele.
BEBEL: Muito
obrigado doutor. Não sei como lhe agradecer.
DELEGADO
(sorrindo): Sabe sim... Pode deixar que eu vou cobrar na hora certa. Vai lá,
volta pro teu trabalho.
Bebel se retira toda cheia de
si. Passa pelos corredores rebolando, de nariz empinado, sob os olhares de
protesto dos policiais e demais cidadãos que estão no distrito registrando suas
ocorrências.
Na sala de espera, ela se
depara com o cliente que não quis pagar o programa.
BEBEL (esnobe): Quanto
a você (e aponta o dedo) no dia que me aprontar outra dessas, eu te quebro a cara!
Palhaço! (joga o cabelo e sai)
Continua amanhã...
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Você sabia?
Alguns
países delegam que todos os indivíduos limitem-se a relações heterossexuais,
isto é, em algumas jurisdições, a atividade homossexual é ilegal. Infratores
podem enfrentar a pena de morte em algumas áreas fundamentalistas muçulmanas,
como o Irã e partes da Nigéria. Há, no entanto, muitas vezes, diferenças
significativas entre a política oficial e aplicação no mundo real.
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