6 de agosto de 2010

Discussão Diferente

Olá!

Vamos tentar falar sobre a Filosofia Diacrônica e Diafásica.

Pensamentos sobre a sapiência humana.

Saber




O poder da criatividade atrelada ao saber, proporciona a completude intelectual do homem. Intelecto do qual depende o HOMO SAPIENS para se relacionar socialmente com seus semelhantes durante toda sua história.
Para Aristóteles, o homem é um animal social, vive em sociedade por necessidade. Por meio de sua organização social, a humanidade garantiu grandes progressos em todos os campos do conhecimento.


Pré-história



Homem é homem por meio de sua palavra, é a força maior que o originou. o Homem não criou a linguagem para sua comunicação, o Homem é a própria linguagem. Homem sem linguagem não é Homem, é qualquer animal irracional. O poder de distinção do eu em relação ao mundo propiciou a criação do sujeito. Benveniste explica esta “emancipação“ humana. O homem que passa a ser homem por meio da linguagem e da “instituição“ (ou descoberta) do sujeito.
Os homens primitivos, dotados de linguagem (rudimentar), encontraram na sociedade uma forma de proteção contra outros animais (maiores e/ou mais fortes), da fome, do frio e também de outras tribos de homens.
Assim, a união de famílias, ou clãs, deu início à organização desses membros. A divisão das atividades dos clãs era feita a partir do sexo e da idade de cada membro: mulheres colhiam alimentos enquanto os homens caçavam, por exemplo. Com o passar do tempo, o homem descobriu novas tecnologias, como o fogo que antes era encontrado na natureza após um raio, passou a ser “causado“ pelo homem. Outra importante evolução que fixou a morada humana: revolução agrícola. As tribos,após esgotarem a reserva de alimentos de uma região, migravam para uma outra, e assim sucessivamente. Com o domínio da agricultura (rudimentar) e do pastoreio, essa migração tornou-se dispensável por motivo de comida.
Os descendentes foram aprendendo com os mais velhos e passando para as futuras gerações. A espécie humana vem construindo sua história sobre o planeta, aperfeiçoando técnicas, evoluindo sempre. Com as trocas de informações, o aprendizado e as descobertas mútuas tiveram como consequência o aumento populacional e novos conhecimentos sendo desenvolvidos e aprimorados para a melhoria das condições vida da raça humana.
O desenvolvimento de nossas técnicas de sobrevivência, como a medicina para curar doenças, a invenção da agricultura para o estoque de alimentos, a confecção têxtil na “fabricação“ de roupas e, claro, a descoberta do fogo tiraram o homem de sua escuridão. Eis o nascimento da imaginação humana, o descobrir de seu pensar e claro, do SABER.


A.C.


O homem antigo, referente ao período anterior a Cristo, possuía seu conhecimento na totalização. Os pensadores da Hélade e também do Império Romano tinham sua cultura de uma forma muito abrangente. Possuíam total domínio da ciência; eram capazes de dissertar sobre qualquer assunto, pois eram os mestres (sábios) daquela época.
O estudo da natureza é algo por inteiro e não segmentado. Cada elemento que encontramos na natureza poderia ser estudado por meio de infinitas visões. Uma árvore seria estudada de forma biológica, explicando seus estágios como nascimento, crescimento, reprodução e sua morte; mas também de forma matemática, desenhando seus ângulos e curvas, a resistência de seus galhos por meio de cálculos pormenorizadamente efetuados. E claro, também pela visão poética, pois todos os seres da natureza são fontes de inspiração.
Portanto, o homem que possuía o domínio de todas as artes do conhecimento, era um ser completo, um ser que sobre qualquer adversidade saberia encontar encontrar uma solução, ora matemática, ora filosófica, já que sua essência era a completude, digna de um sábio.


Modernidade Intelectual?


Com o avanço da tecnologia e novas descobertas, houve o crecimento dos conhecimentos adquiridos e também com a transformação da sociedade, o conhecimento antes totalizado na sapiência humana começa a ser segmentado.


“O remédio à desintegração do saber consiste em trazer à dinâmica da especialização, uma dinâmica compensadora de não-especialização. Não se trata de entravar a pesquisa científica por interferência que correria um risco de falsear seus desenvolvimento. Mas precisamos agir sobre o sábio, enquanto homem, para torná-lo consciente de sua humanidade. Precisamos obter que o homem da especialidade queira ser, ao mesmo tempo, um homem da totatalidade.“

O abismo que a humanidade cada vez mais se lança é a capacidade de se saber cada vez mais sobre cada vez menos. Segmentando-se tudo o que temos de ciência e conhecimento, criam-se cientistas e assassinam os sábios. Pois tendo uma visão parcial do que ocorre, ou uma visão limitada, equívocos ocorrerão no vasto campo do âmago humano. Um curto exemplo:
"Normalmente, os experts medem a distância entre os países desenvolvido e os que não são, calculandoa diferença entre o produto interno bruto (PIB) de uns e de outros; formuladas com renda per capita. Tudo indica, assim, que os povos atrasados sofram apenas de problema material, e que bastaria, para curá-los, fornecer-lhes as riquezas que lhes faltam. O "desenvolvimento" se reduziria a uma recuperação econômica. Bastaria dotar cada africano, cada polinésio, cada índio americano ou da Ásia de um aparelho de barba elétrico, de um aparelho de televisão, de uma máquina de levar, de um automóvel e de um estoque de conservas alimenticias para fazer dele um verdadeiro cidadão do século XX."

A visão de um economista é muito limitada da sociedade e um argumento como esse é aceito numa sociedade das divisões: antes braçal, com as teorias de Ford e de Taylor e agora, também intelecutal. Precisa-se de força de trabalho e do lucro e não de pessoas competentes intelectualmente para nos governar de forma menos arbitrária e menos parcial. O conhecimento, por ser essência, não deve ser utilizado para o desaprendizado (visão limitada) e sim para a ampliação de nosso campo de visão, pois o ser humano é fruto de sentidos e emoções, e que talvez seja destruído pela divisão de sua essência. Homens que só trabalham, homens que só estudam, homens que só servem para reproduzir, homens que somente amam, homens que só guerreiam neste mundo caótico que os mesmos estamos inseridos.

Eis o recado.

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