Pequenas tragédias pessoais e familiares são redimensionadas
diante de uma tragédia maior no drama romântico
"Lembranças", que estreia no país nesta sexta-feira
(12). Basta saber que a história é situada em Nova York
e deduzir as breves menções ao tempo para imaginar quando será o
clímax desse romance açucarado, estrelado por Robert Pattinson,
mas conhecido como o vampiro da série "Crepúsculo".
No filme, Pattinson esforça-se para interpretar um galã à la
James Dean. O esforço não é apenas físico - com o cabelo
desgrenhado, fumando incessantemente, roupas mal arrumadas e
emocionalmente confuso -, como também no tipo de personagem.
Como Dean em "Juventude transviada" (1955) e
"Vidas amargas" (1955), o protagonista aqui, Tyler,
tem problemas de relacionamento com o pai, o advogado figurão
Charles, interpretado pelo ex-James Bond Pierce Brosnan.
O romance entre Tyler e Ally (Emilie de Ravin, da série
"Lost") começa como uma aposta. O amigo dele o desafia
a conquistar a filha do policial que os prendeu depois de uma
briga de rua. O rapaz aceita a aposta, ganha o coração da
garota, para só mais tarde também sucumbir aos encantos da
menina e se descobrir apaixonado.
O amor, que poderia redimir Tyler, transformando-o numa pessoa
mais compreensiva e menos egoísta, no entanto, não ajuda em nada
nos problemas com o pai negligente, que se divorciou da mãe
(Lena Olin) e não dá atenção para a filha caçula Caroline (Ruby
Jerins), uma artista precoce e sem amigas na escola.
A pessoa a quem Tyler mais protege é Caroline. Ele fica mais
decepcionado do que ela quando seu pai não pode ir à abertura da
exposição de obras da garota. Mais uma briga entre Charles e o
filho explode e traz à tona um lado meio 'emo' do
protagonista, para quem sofrer parece ser o único prazer disponível.
Ally também tem suas dores do passado. Em 1991, dez anos antes de
ela conhecer Tyler, sua mãe foi assassinada numa plataforma do
metrô na frente dela, o que a traumatizou e gerou problemas com
um pai excessivamente zeloso, o policial Craig (Chris Cooper, de
"Nova York, Eu te Amo"). Já o trauma do passado do
rapaz, além da negligência do pai, envolve o suicídio de um
irmão aos 22 anos. Agora, Tyler está a poucos dias de completar
essa mesma idade.
Fãs de 'Crepúsculo'
Dirigido por Allen Coulter ("Hollywoodland - bastidores da
fama"), a partir de um roteiro do estreante Will Fetters,
"Lembranças" não mede esforços para agradar à legião
de fãs do protagonista de "Crepúsculo" - em sua
maioria, adolescentes do sexo feminino.
Por isso, exagera nos closes de Pattinson, com olhares
apaixonados e/ou perdidos ao longe, frases melosas ("Nossas
Digitais não se Apagam das Vidas em que Tocamos"), e,
tentando copiar as lágrimas de "Titanic", prepara um
final supostamente emocionante.
O romance entre Ally e Tyler, no entanto, nunca ganha a
profundidade que poderia ter. Os dois personagens são duas almas
feridas e desesperadas em busca de algo que alivie a dor e os
afaste de uma nova tragédia. O que eles percebem, porém, é que
algumas forças são impossíveis de controlar.
A lição do filme é que a vida é curta e praticamente faz pouca
diferença para o mundo, mas, ainda assim, devemos vivê-la
plenamente. O casal se esforça para fazer valer essa máxima,
mas, infelizmente, "Lembranças" está mais interessado
em mostrar sua surpresa final do que construir personagens e uma
trama mais consistente.
(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)
* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb
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