
Quando Gugu Liberato fechou com a Record muito se falou na maior negociação da televisão brasileira, uma mudança ímpar na história da comunicação. Ficou claro que o apresentador trocava o local onde construiu sua brilhante carreira por uma empresa que lhe oferecia mais oportunidades e recursos que poderiam renovar um programa de auditório. Foi uma proposta irrecusável, não no elevado salário, mas no novo caminho que surgia em sua carreira. Público, crítica e mercado acompanharam atentamente cada detalhe dessa transferência e apostaram alto no “Programa do Gugu”. A atração dominical estreou com quadros semelhantes ao que eram apresentados no SBT e, para justificar, os produtores alertavam que não era prudente inovar se “A Fazenda” consumia um espaço do dominical.
O tempo passou, “A Fazenda” terminou, entraram no ar “Vale Tudo pra Ganhar” e “Cãopeonato do Túnel”, mas nenhuma grande inovação. Neste fim de semana, logo após a versão moderninha do Show de Calouros, Gugu Liberato promoveu uma brincadeira com o auditório que ganharia prêmios caso uma criança em outro estúdio acreditasse que um peixinho falava no aquário. Criança é garantia de audiência. O “Programa do Gugu” ressuscitou uma antiga brincadeira do extinto “Topa Tudo Por Dinheiro”, comandado por seu ex-patrão. Que triste…
Não estou condenado o quadro idêntico, porque na TV todo mundo copia tudo mundo e os programas continuam no ar, o telespectador não reclama, os produtores acreditam que inovam, os anunciantes aplaudem em pé e tudo se repete. Assim foi, assim será. E reclamar prá quem? A ressurreição do peixinho falante levanta uma discussão muito mais ampla e que deve ser feita sem bandeirolas e fanatismo por esta ou aquela emissora. Gugu Liberato é capaz de muito mais. Ele é versátil, faz externas, jornalismo, entrevista e é animador de platéia, transitando bem em todas as necessidades do que se considera um programa moderno. Homero Salles é um dos poucos diretores que entendem do assunto. Comanda uma grande equipe, sabe explorar o momento da emoção e, com isso, alcança bons índices. A Record seduziu Gugu Liberato com mais recursos tecnológicos, jornalismo atuante, elenco de dramaturgia e inúmeras possibilidades … Então, o que está acontecendo? Por que ir ao passado para colocar no ar algo diferente? Está na hora de inovações e de acreditar na capacidade de transformação de uma equipe que chegou cheia de promessas. Basta olhar ao redor, reunir pessoas inteligentes e deixar a criatividade fluir.
A contratação de Gugu Liberato pela Record representa muito mais do que a troca de uma emissora. É preciso que cada um envolvido nesta questão analise e encontre o caminho.
Fonte: Parabólica JP.
Texto: José Armando Vannucci.





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