27 de dezembro de 2013

ENCONTRO DO SÉCULO - Cap 153 e 154

< Web Novela de MARCOS SILVÉRIO>

No capítulo anterior...
Beija manda convidar Chalaça para um encontro na chácara
Severina está curiosa, mas a patroa se recusa a revelar o plano
Chalaça sai do palácio bem vestido e impressiona Pedro
D. Carlota reclama da ausência de Beija como companhia
D. João defende seu afastamento e o casamento de Pedro
Chalaça chega à chácara e é cercado por dois cães furiosos

CAP. 153

Sem que Chalaça possa reagir, os cães avançam sobre ele, rasgam suas roupas e lhes dão várias mordidas pelo corpo.

CHALAÇA: Saiam daqui! Saiam malditos! Alguém me ajude! Pelo amor de Deus! Beija!

Um escravo, ouvindo os gritos, corre em socorro e ralha com os animais, impedindo a continuação do ataque.

ESCRAVO: O sinhô tá bem?
CHALAÇA: Claro que não, infeliz! Estou todo sangrando. Ainda bem que você chegou. Aqueles malditos iam me matar... Me ajuda aqui. (e se levanta, sangrando e todo sujo) Onde está Dona Beija?
ESCRAVO: Dona Beija num tá na chácara não sinhô. Ela só deu orde pra desamarrá os cachorro.
CHALAÇA: Desgraçada! Ela me paga!

O escravo o conduz para a casa dos empregados e ali faz a primeira assepsia dos ferimentos, usando álcool com arnica, segundo a tradição dos escravos, um poderoso bactericida.

Algumas semanas depois, na mesma chácara...

SEVERINA: Sinhá, dizem que o casamento de D. Pedro com a tal da D. Leopoldina foi o acontecimento do ano. Lá na cidade não se fala de outra coisa. Foi lá na Igreja de Santa Ifigênia, na Rua da Alfândega...
BEIJA (seca): Conheço aquela igreja. É uma das mais lindas do Rio de Janeiro.
SEVERINA: Dizem que até os súditos seguiram o cortejo nupcial, dançando congo na rua.
BEIJA: Pouco me importa tudo isso. Quero mais é que esse filho nasça logo, porque enquanto ele não nascer, serei obrigada a ficar escondida aqui na chácara. Não quero que as pessoas na cidade me vejam nesse estado.
SEVERINA: Sinhá, não fique assim... Quero ver minha Sinhá alegre e animada como sempre foi...
BEIJA: Parece que felicidade é uma coisa que não foi feita pra mim, Severina. Toda vez que penso que as coisas vão tomar um rumo, de repente tudo muda completamente. E para pior, na maioria das vezes. Foi assim com Antonio, Foi assim com Motta e agora com Pedro. (respira fundo, criando coragem) Mas vai passar...
SEVERINA: Fique tranqüila Sinhá, sua vida será outra depois da maternidade... Pode acreditar...

SEIS MESES DEPOIS...

Um cavaleiro se aproxima da porteira da chácara. É Pedro. Os cães ladram despertando a atenção de Beija, que sai e se posta no alto da escada.

Pedro desce do cavalo admirado com o que vê e não resiste à curiosidade:
 
___ Beija?... Que barriga é essa?

Continua...

< Web Novela de MARCOS SILVÉRIO>

No capítulo anterior...
Chalaça chega à chácara e é cercado por dois cães furiosos
É atacado e ferido, mas um escravo aparece para salvá-lo
Pedro se casa com D. Leopoldina numa rica cerimônia
Severina conta, mas Beija se mostra indiferente a tudo
Seis meses se passam
Pedro não resiste e procura Beija
O Príncipe fica admirado com sua barriga enorme

CAP. 154

Pedro sobe a escadaria e se aproxima.

BEIJA (indiferente): O que Vossa Alteza deseja?
PEDRO: Quero falar com você, Beija. Não vai me convidar a entrar?
BEIJA: Pois não, Alteza, entre.

No interior da sala...

PEDRO: Porque tanta formalidade comigo, se somos tão íntimos?
BEIJA: Éramos, Pedro. Não somos mais. Você me deixou e seguiu seu caminho. Hoje é um homem casado.
PEDRO: Mas isso não tem a menor importância. O que importa mesmo é o amor que sinto por você. Esses meses foram uma eternidade longe de ti. Já não via a hora de lhe encontrar. Pensava até que tivesse ido embora do Rio de Janeiro...
BEIJA: Me encontrar? Me encontrar pra quê?
PEDRO: Foi por esse amor imenso que sinto é que vim atrás de você. Porque não estou conseguindo viver longe de seus braços, dos seus carinhos, do seu sexo...
BEIJA: Deveria ter pensado nisso antes de me abandonar...
PEDRO: Já lhe expliquei um milhão de vezes. Não tive alternativa...
BEIJA: E agora, o que quer de mim?
PEDRO: Queria lhe ver, tocar, sentir, beijar... Matar essa saudade que me consome, esse desejo que me devora...
BEIJA: Suas palavras são muito bonitas, românticas até... Mas a realidade é bem mais dura que isso. Sofri o diabo quando me deixou. Tive que me reconstruir do zero, dos cacos... E agora que começo a me aprumar, me aparece de novo... O que pode me oferecer agora, Pedro? O posto de amante favorita?

Pedro ignora a pergunta, anda de um lado para outro da sala, remoendo um outro pensamento...

PEDRO: Beija, essa sua barriga... Você está com uma barriga enorme... Beija, me diga: esse filho que espera, é meu?
BEIJA: Não. Não é seu.
PEDRO: Mas a julgar pelo volume da sua barriga e a época em que nos afastamos... Tudo leva a crer que sim... Esse filho pode ser meu...
BEIJA (firme): Não. Não é.
PEDRO: Então se o filho não é meu, andava me traindo com alguém...
BEIJA: Faça-me o favor, Pedro. Não me venha cobrar fidelidade, coisa que você nunca deu... Ou pensa que não sabia das suas escapadas? Da suas noitadas de bebedeiras e orgias com as negras e mulatas nas tavernas?
PEDRO: Me diga, Beija, de quem é esse filho?
BEIJA: Está bem. Já que deseja tanto saber, eu lhe digo: esse filho é do Ouvidor Motta.

Pedro fica pasmo.

Continua amanhã às 21:00 horas...

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