
Visitei, então, uma feira de artesanatos na Zona Rosa, na Cidade do México, e vi uma Chiquinha de madeira. Segundo a dona do estande, muitos brasileiros se interessavam por tais produtos. E não só brasileiros, mas venezuelanos, argentinos e chilenos, entre outros.
Explicar a popularidade de Chaves em terras tupiniquins é uma tarefa difícil. Muitos já tentaram, como Luís Joly, Fernando Thuler e Paulo Franco, que lançaram o livro Foi Sem Querer Querendo?. O jornalista Pablo Kaschner colocou suas teorias no papel e publicou a obra Chaves de um Sucesso. Nenhuma convenceu o suficiente para explicar o fenômeno. Nem eu tentarei fazer isso neste texto. Estamos aqui para dizer que Chaves, o show mais popular do SBT, está fazendo 25 anos de sua estreia no Brasil. Foi o único programa a conseguir manter médias de audiência consideráveis por tanto tempo.
E aí veio a internet. O emblemático programa começou a reunir adeptos via sites especializados e de relacionamento, como o Orkut. Mitos – como aquele que dizia que todo o elenco morreu num acidente de avião – foram desmentidos. Chaves tornou-se cada vez mais hype, mais cult – e numa outra esfera, nerd. Se você entrar nas lojas de camisetas da Galeria do Rock, em São Paulo, verá que grande parte delas traz estampas do Senhor Madruga (Ramón Valdez), o mais popular personagem do seriado. Isso sem contar os adesivos, chaveiros e outros acessórios criados – sem copyright, mesmo – para ovacionar o programa.
Há 25 anos, provavelmente Silvio Santos não esperava que isso fosse acontecer. A TVS (hoje, SBT) era dominada por confusos empresários que não sabiam como preencher a programação. Após fazer uma parceria com emissoras de TV no México, Chaves veio em um lote de 80 episódios, de graça, junto com outras novelas que a emissora tinha adquirido na época. Silvio Santos resolveu exibir a série em 24 de agosto de 1984, no programa do Bozo, alternando a exibição com o tão popular Chapolin Colorado, estrelado pelos mesmos atores. Desde então, Chaves nunca saiu do ar por um período de tempo maior que um mês.
No México, foram produzidos mais de mil episódios da série entre 1971 e 1992. No Brasil, pudemos conferir apenas os capítulos que foram rodados na década de 1970 (a contagem é inexata). Muitos deles foram exibidos apenas uma vez pelo SBT. Outros, tiveram que esperar mais de dez anos para serem reapresentados. A emissora não tem explicação pra isso.
Premissa
Chaves (Roberto Goméz Bolaños) é um menino abandonado pelos pais desde pequeno, que mora num barril numa vila suburbana. Com vergonha de dizer que não tem casa, ele sempre conta aos conhecidos que mora no número oito do mesmo local (daí o nome original da série, El Chavo Del Ocho, ou, O Chavo do Oito). No Brasil, tal detalhe foi retirado da dublagem, apesar de uma ou outra escapada no texto.
Na mesma vila vivem o malandro Sr. Madruga (Ramón Valdez) e sua filha Chiquinha (Maria Antonieta de Las Nieves), Dona Florinda (Florinda Meza) e o filho, o mimado Kiko (Carlos Villágran), e Dona Clotilde, mais conhecida como Bruxa do 71 (Angelines Fernández). Mensalmente, o Sr. Barriga (Édgar Vivar) aparece para cobrar o aluguel. Outro personagem recorrente é o professor Jirafales (Rubén Aguirre), namorado de Florinda, e tutor dos moradores da vila.
A série, roteirizada e dirigida por Bolaños, abusa das piadas prontas, que se repetem à exaustão nos episódios.





Nenhum comentário:
Postar um comentário