
Sabiam que a Rede Globo pensou em dois diretores antes de chegar a Wolf Maya? Foi mesmo! Primeiro alguém sugeriu Luiz Fernando Carvalho, mas este - graças a Deus! - não demonstrou maior interesse. Depois alguém lembrou Jayme Monjardim, que, no entanto, já estava comprometido com Glória Perez… Sem saber que logo seria afastado de “América”. Aí alguém me perguntou: “Você trabalharia com Wolf?” Nessa hora me lembrei que Paulo Ubiratan, pouco antes de morrer, disse que um dia eu ia trabalhar com Wolf Maya, sim… E ia gostar muito! Baseado nessa lembrança eu respondi que sim, trabalharia. E Wolf, consultado a respeito e depois de ler a sinopse, logo embarcou no projeto. O que eu não sabia é que ali estava nascendo uma parceria pra toda a vida… E um trabalho que se tornaria clássico.
Na minha cabeça as duas atrizes principais já estavam escolhidas: Regina Duarte faria Maria do Carmo, e Susana Vieira daria vida a Nazaré. Mas Regina levou semanas pra dizer se aceitava ou não, e ainda deixou claro que, caso aceitasse, Gabriela Duarte teria que fazer “Isabel”, a sua filha na novela Foi então que Wolf virou a mesa e me perguntou: por que não Susana como a protagonista, e Renata Sorrah no papel de “Naza”? Durante 18 segundos eu estranhei, até que uma voz desconhecida sussurrou no meu ouvido: Deixa de frescura e aceita, sua boba!” Aceitei é claro.
Fez-se a troca… Um dia antes que Regina afinal lesse a sinopse e aparecesse no maior entusiasmo para anunciar que topava… Mesmo que Gabriela não fizesse a filha! Mas aí já era tarde, Inês estava morta e enterrada: Susana e Renata também já tinham dito que topavam… E assim se fez História.
Na escolha dos colaboradores também houve trocas. Um deles seria Thiago Santiago… Mas para isso eu teria que dispensar um dos meus colaboradores mais antigos, e não tive coragem de fazer isso. Sem querer, acertei em cheio; pois Thiago não fez SENHORA, mas foi pra Record, onde hoje é uma de suas “estrelas”. E a minha equipe continuou unida, tanto que foi praticamente a mesma em DUAS CARAS.
Ou seja, SENHORA DO DESTINO foi uma novela abençoada. Deu certo sempre. Caiu no gosto do povo, virou a maior audiência da televisão brasileira desde 1997… É imbatível há doze anos, portanto. E agora, na reprise do Vale a Pena Ver de Novo, caminha pra bater o recorde de audiência do horário, e sem dúvida o fará…
Como vocês já sabem, porque a notícia saiu em todos os jornais - menos em O GLOBO - vou fazer a supervisão da próxima novela das 19 horas, assinada por Bosco Brasil, e que tem o título provisório de Bom dia, Frankenstein. Por que provisório? Porque nessa história de nomes nem sempre a vontade do autor prevalece. Tanto que, como já escrevi aqui, uma novela que acabou se chamando Vale Tudo quase foi ao ar com o título de: BUFUNFA.
Tivemos várias reuniões, eu e o Bosco, e ele partiu pra tarefa hercúlea de escrever os seis primeiros capítulos. Também os li, e não tive muitos reparos a fazer, pois percebi que ele estava no caminho certo. Tanto que, vários meses e muitos ajustes depois, a novela finalmente foi aprovada e já está em fase de produção… E com a maior urgência, pois estréia em novembro.
Se vou opinar sobre elenco, música, cenários, figurinos e esses troços todos? Bem, aqui e ali darei os meus pitacos. Mas sempre deixando bem claro que Bosco e o diretor José Luiz Villamarin é quem mandam. O problema é que meu nome vai figurar nos créditos e, portanto, o meu assim chamado ânus também estará na reta. Pra evitar algum dano inesperado que possa me levar à urgência proctológica, terei que me empenhar bem fundo (sem trocadilhos);
Será que vai dar certo? Acho que sim. Confio na história, que se passa em São Paulo e mostra a cidade como nunca se viu antes em novelas… E também confio no Bosco. Ainda mais porque ele vai trabalhar com dois colaboradores meus, Maria Elisa Berredo e Nelson Nadotti. E uma novela que conte com esses dois já tem meio caminho andado.
Agora outra pergunta que ouço muito é: quem serão os protagonistas? Não sei, Bosco e Villamarin é que decidem. A escolha não depende de mim. Porém, se dependesse, eu arriscaria um palpite: Antônio Fagundes e Glória Pires no casal maduro, e Débora Falabella e Cauã Raymond no casal romântico.
Mas como - perguntará a turma da master class indignada "você não já escalou a Glória pra ser a Griselda da Silva Pereira, ô seu Zé Ruela?!…" Escalei… Mas aí descobri que ela estava reservada pra novela anterior à minha. No entanto, se ela fizer essa novela agora, não poderá fazer a tal… E aí estará liberada pra quando chegar a minha vez e hora.
Fonte: TV Foco





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